Nei Lisboa pode ser visto com freqüência pelas ruas da Cidade Baixa, mais exatamente nas mesas do Bar 174 que fica na República. É íntimo do bairro, apesar de morar na Auxiliadora. O músico, nascido em Caxias do Sul em 18 de janeiro de 1959 e que vive desde os seis anos em Porto Alegre, tem oito discos lançados nas últimas duas décadas. Na entrevista ao Giro Cidade Baixa ele fala, entre outras coisas, sobre literatura, psicanálise, paternidade e Caetano Veloso. |
Tu tens um romance intitulado Um morto pula a janela, publicado pela Artes & Ofícios em 1991, depois pela Sulina em 1999 e em 2000 editado pela L´Harmattan de Paris. Como é tua experiência com a literatura? Não vais publicar outro livro?
Não tenho planos para breve, mas é possível que um dia venha a escrever outro romance. Nos últimos anos, tenho escrito crônicas regularmente, para a ZH e para o jornal Extra Classe, do SINPRO/RS. Eventualmente uma seleção delas deve ser publicada em livro.
Tu foste um estudante de intercâmbio nos idos dos anos 70 nos Estados Unidos. Onde tu moraste e como isso te marcou? Como era estar distante do Brasil naquela época?
Morei no sul da Califórnia, em uma cidade de beira de estrada, no meio do deserto entre Los Angeles e Las Vegas. Foi uma intensa experiência juvenil de conhecimento, de tolerância cultural e de solidão extrema. De todo jeito, sou agradecido àqueles tempos por ter começado a compor e decidido tentar uma carreira na música.
Como tu vês a psicanálise?
Deitado. Brincadeirinha. Mas a minha melhor maneira de ver a psicanálise é mesmo como paciente, como analisando. Não tenho nenhuma base teórica, nenhuma leitura de Freud e nem sequer vontade de debater o assunto. Mas tenho mais de dez anos de divã, portanto algum conhecimento empírico, e sobretudo o reconhecimento do quanto me fez e me faz muito bem. Sempre recomendo.
Fala um pouco sobre a experiência da paternidade.
Dessa pensei que ia escapar, já estava além dos quarenta e não tinha planos, fui pego totalmente de surpresa e custei a aceitar. Hoje sei que foi o que de melhor já me aconteceu na vida. Agora mesmo minha filha está aqui em volta, brincando, gritando, azucrinando, atrapalhando e enchendo a vida da gente de sentido e de alegria.
Tua música Pra te lembrar foi gravada pelo Caetano Veloso para a trilha do filme Meu Tio Matou um Cara do Jorge Furtado. O Caetano, provavelmente, é teu ídolo como é de várias gerações. Conta da emoção dessa gravação da tua música por ele.
Foi um presente enorme, né? Tanto do Jorge, que apresentou a música para o Caetano, quanto dele, ao incluí-la na trilha e decidir cantar ele mesmo. Pra mim, sem dúvida, pinta essa coisa de fã, de um sonho realizado. E também é muito bom profissionalmente, a música roda no país inteiro.
por Susana Vernieri
jornalista
colaboração Lucia Araujo
|