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 Pedro Verissimo
Formado em Publicidade e Propaganda, filho e neto de escritores, Pedro Verissimo escolheu a música como profissão. Abaixo ele nos conta um pouco dessa história e dos projetos da Tom Bloch. Confira abaixo!
 
Pela tua profissão e sobrenome, muitas pessoas chegaram a achar que a Tom Bloch não passaria de mais uma banda. Isso chegou a atrapalhar a carreira de vocês?
O sobrenome ajudou mais do que atrapalhou, sem dúvida. Sempre digo que um sobrenome como o meu abre muitas portas, mas deixar essas portas abertas é só comigo. Uma pessoa pode até ver um show nosso, ou comprar nosso CD, somente para saber o que o filho do Luis Fernando Verissimo faz. Mas te garanto que ninguém vai voltar a um show, ou recomendar o CD pra alguém, se não gostar do que ouviu. Ou seja, é um trunfo. Mas um trunfo de curta duração.
E a publicidade só ajudou. Ter noção de como se produz uma foto, um clip, uma capa de CD, etc. é uma arma a mais. Já faz um bom tempo que música não é só o som, mas a postura, a atitude. E isso se passa também com a imagem. Cresci com a MTV, não sei o que é um artista sem rosto. É tudo uma questão de usar seus poderes para o bem, se é que você me entende.

Em 1998 quando vocês começaram, a cena da cidade era outra. As bandas locais começavam a aparecer: vocês, a Bidê. Tu acreditas que hoje é mais fácil montar uma banda, gravar um CD e se apresentar na noite? Quais bandas tu destacaria dessa nova onda portoalegrense?
Nos chamavam de Trio Ternura, a Bidê, Tom Bloch e Video Hits. Era engraçado. Foi um daqueles momentos em que parecia que um "movimento" estava começando, que essa união ia criar um tsunami gaúcho no rock nacional. Parecia. As três tiveram bastante destaque na mídia alternativa do Brasil todo. Acho que, principalmente, por serem bandas com personalidades bastante fortes. Mas ter personalidade muitas vezes atrapalha. Acho que a grande mídia e as gravadoras nunca souberam muito bem o que fazer com a gente, onde encaixar. Tanto que a Video Hits acabou. Uma pena.
A gente conseguiu gravar o nosso CD de forma independente, sem a ajuda ou o dedo de uma gravadora, por causa da facilidade que a tecnologia "caseira" trouxe. Naquela época começava a ficar possível conseguir um resultado de qualidade sem ter grana pra bancar um puta estúdio, por exemplo. Hoje é mais fácil ainda, já que todo mundo tem um computador em casa mesmo. Tocar segue sendo difícil pela pura falta de lugar. Ou os lugares são muito grandes, como o Opinião, ou muito pequenos ou muito sem estrutura. É realmente um problema.
Das bandas novas, gosto muito de Superguidis e acho que Irmãos Rocha! ainda tem muito pela frente. O CD que eles acabam de lançar é genial.

Tu és um cara tímido, caseiro, avesso a badalações. Como é essa nova fase de subir no palco, aparecer na TV e dar entrevistas?
Sou menos tímdo do que pareço. Acho que as pessoas me vêem um pouco condicionadas pela visão que têm do meu pai - um tímido de verdade. Sou quieto, isso sim. Mas acho que é mais por preguiça. E tenho essa postura no palco por opção. Não sou do tipo que grita: "E aí, galera! Vampulá!". Nem todo vocalista tem que ser um animador de programa de auditório. Estou ali pra cantar.
E dar entrevistas eu gosto, acho que dá pra notar pelo tamanho das minhas respostas.

Tu acreditas que a vivência cultural dentro da tua família ajuda na hora de compor as letras da Tom Bloch? Elas trazem algo de autobiográfico nas letras?
Sem dúvida. Crescer num ambiente como a minha casa, com livros até nos banheiros, no mínimo facilita o contato com a literatura. Sempre fui estimulado a ler, a me interessar por arte em geral, cinema, etc. É aquela história: Quer escrever? Então lê.
Uma das nossas canções, "Nessa Casa", é baseada em um texto da Virginia Wolf chamado "The Haunted House", sobre um casal de fantasmas mostrando onde o amor deles foi mais vivo. Minha Vó leu muitas biografias da Virginia Wolf e comentava as histórias na mesa do almoço. Pequeno ainda, levei anos pra me dar conta que as duas não eram velhas amigas.
E na minha casa a arte/literatura sempre pagou as contas. Ou seja, quando eu avisei que ia pedir demissão da agência para me dedicar à música, não foi um choque tão grande quanto seria numa família de engenheiros, por exemplo.
E autobiográficas as letras são até quando não são. Tem algumas sobre relacionamentos teóricos, vivências que eu não tive, mas que passam sempre pelo filtro das que tive. Outras são pessoais até demais. "O Amor (Zero Sobrevivente)", pra citar uma, é sobre um período horrível da minha vida, mas que acabou rendendo uma bela música com a qual muita gente se identifica. Ainda tenho que agradecer pela inspiração. Ou não.

Que novidades do último trabalho tu podes nos adiantar? Perticipações especiais, alguma música onde esse lado mais orgânico que tu comentas tenha ficado ainda mais perceptível?
As novidades são muitas, e boas. Mas aprendi faz pouco a não falar das coisas antes delas acontecerem. A gente está em processo de pré-produção, decidindo repertório ainda e vendo como vai ser a logística da coisa. Não acho que vá ser tão diferente assim do primeiro, no sentido de não ter muito sentido. A gente gosta de tratar cada música como uma ilha, um pequeno universo isolado. Depois a gente junta todas e vê no que dá o conjunto.

Algum show em vista?
Enquanto a gente prepara a entrada em estúdio, eu ando me divertindo com um show solo e ensolarado. Se chama "Baladas Boas" e é todo de canções americanas dos anos 50 e 60, mas só as versões feitas na época para o português. Coisas do Elvis que o Robeto Carlos cantava, versões de clássicos como "Blue Velvet" e "Blue Moon". Quer dizer, "Veludo Azul" e "Lua Azul". Tudo azul, ingênuo e pra beijar na boca. Todas as quintas de maio no Cult Bar.
Tom Bloch só depois de gravado o novo CD.

Qual o papel da Cidade Baixa dentro da cultura musical de PoA?
Tomar cerveja sempre é inspirador. Ou seja, é uma musa!

Que lugares mais gosta de ir e por que? Lugares a ver com a Cidade Baixa em Londres, São Paulo?
Eu podia muito bem ser um turista profissional. Seria a profissão perfeita. Lugares sempre são diferentes, mas têm em comum as suas Cidades Baixas, zonas de boemia, de encontro despreocupado. E é nessas zonas que as cidades se reinventam. O que acabou em museus, certamente começou na mesa de algum bar.
Adoro um bom restaurante, um hotel confortável. Mas o mais legal sempre é o que fica um pouco mais à "gauche".
Por exemplo: o lugar onde melhor comi em Barcelona foi no Mercado Público (La Boqueria), sentado num balcão. Nenhum restaurante 5 estrelas seria melhor.
Em Paris, museu legal é o "Palais de Tokio", o museu de arte moderna da cidade de Paris. Tem exposições de grafiteiros, de artistas que nem começaram ainda, um lugar onde nada se estabeleceu. Trés cool!

 
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