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Polêmica no bairro
Há barulho na Cidade Baixa. Um abaixo assinado está passando de porta em porta para pedir o cumprimento de uma determinação do Ministério Público que garante o sossego público e também o cumprimento do Decreto Municipal 14.607 de 28.07.2004 que regulamenta as atividades de casas noturnas. A lista será encaminhada ao Prefeito de Porto Alegre e conta com o apoio da Associação Comunitária da Cidade Baixa. "O grande problema do bairro hoje é a omissão do poder público em relação aos bares", acusa Kira Zanol, engenheira civil e vice-presidente da Associação Comunitária.
A briga entre moradores e proprietários de estabelecimentos noturnos vem acirrando-se cada vez mais. Em abril, uma reunião na Câmara de Vereadores com representantes do Executivo Municipal, do Legislativo, do Ministério Público, dos Bares e dos Moradores tentou achar uma solução para o problema sem êxito. A proposta dos bares é que as mesas façam uso dos passeios públicos e recuos até às 2hs nos dias de semana e até às 3hs nos fins de semana. "É inviável o funcionamento dos estabelecimentos só até à meia-noite", explica Júlio César Gonçalves Moreira Sezar, advogado da Associação de Bares Restaurantes e Similares da Cidade Baixa.
Kira Zanol rebate, dizendo que os moradores querem o cumprimento do Decreto Municipal 13.452 de 2001 que veda o uso dos passeios públicos fronteiros a bares, restaurantes, lanchonetes e assemelhados, bem como o uso de recuos para colocação de mesas após as 24hs. "Ninguém quer fechar bar nenhum. O que não dá para admitir é às 2hs, 3hs da manhã chegar um bando de pessoas cantando parabéns pra você. Queremos diminuir o fluxo de pessoas, o excesso de gente, bebida e droga." Nesse jogo de forças e opiniões, espera-se para breve uma nova reunião de representantes para que seja tentada alguma solução para a questão.
Para Cristina Gama, empresária do bairro e também moradora, boa parte dos problemas da Cidade Baixa poderiam ser resolvidos com mais segurança pública e luz. "Sem a vida noturna que movimenta o local teríamos muito mais furtos, roubos e violência. Esse lugar é muito vivo culturalmente e não pode sucumbir. Deve ser preservado e aperfeiçoado."
Segunda a moradora Jaqueline Guedes o que os moradores querem é a convivência pacífica entre eles e os bares. "Só queremos que as mesas saiam da calçada, após o horário permitido por lei, e nos deixem dormir. A intenção não é fechar os bares", completa Jaqueline.
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